Haviam muitas pessoas na mesma casa. O ambiente era caótico, a situação era calamitosa, pessoas estavam insatisfeitas, triste, infelizes, a beira de crises. Eram cerca de 15 pessoas, vindas de todos os cantos do Brasil e do mundo, mas que não tinham uma identidade única, algo que os unisse.
No dia 13 de fevereiro de 2007 houve uma revolução. A casa fora reformada, móveis comprados, novas peças arrumadas e finalmente uma realocação de quartos. Às 21:32 havia sido decidido: Conrado Kaczynski, Maurício Schneider e Ricardo Blattes haveriam de mudar para a "casa de baixo", como era então chamada.
As necessidades eram claras. Era necessária uma melhoria na qualidade de vida, um local onde se pudesse viver com dignidade, compartilhar filosofias e falar de assuntos pertinentes na vida desses indivíduos, como mulheres, trabalho, sexo, reclamações, garotas, viagens, gurias, experiências, meninas, piadas e histórias do Rio Grande do Sul.
Maurício Schneider nascera no interior do estado do Rio Grande do Sul, na metrópole do Alegrete. Estudou engenharia, ciências ocultas, decoração, música, informática e administração, mas assim como Bill Gates, Dee Hock e Luiz Inácio Lula da Silva, ainda não se formou. Schneider já venceu duas vezes o campeonato de Padel de São Paulo, possui uma coleção de raquetes e sempre conta histórias relacionadas, embora ninguém o tenha visto jogar. Destesta cigarros e narguilés.

Conrado Kaczynski, um playboy de Porto Alegre e ex-guitarrista da banda Andar Térreo, largou a faculdade em busca de uma vida repleta de aventuras tendo como base a cidade de São Paulo e como local de trabalho o Brasil e o mundo, hoje dedica-se a relatar sua vida no blog Conrado na AIESEC. Conrado nasceu há 22 anos, treina Kung-Fu duas, três, ou nenhuma vez por semana e hoje corta seu próprio cabelo.

Ricardo Blattes nasceu em Santa Maria, no meio do caminho entre Alegrete e Porto Alegre. Apesar de ter terminado as faculdades de Direito e Contábeis, não é advogado nem contador. Antes de liderar a 'Revolução de 2008 - Em busca de dignidade", Blattes morou em Brasília e percorreu de carro as regiões sul, sudeste e centro-oeste do Brasil. Nos seus 27 anos já foi barman, garçom e vendedor de sanduíches; além de ter comprado dois violões, um cavaquinho, uma gaita de boca, raquetes de tênis e squash, chuteiras e caneleiras, além de touca e óculos de natação, que hoje estão espalhados nas casas de diversos amigos. Blattes não toca nenhum instumento musical, paga mensalidade de academia e pratica caminhadas.

Fora Blattes o primeiro a pronunciar: "Cára!! Vamo transformá aquilo num FLAT! Hehe!" Desde então, não houve medição de esforços para a construção de um novo lar, um lugar digno onde pudesse ser supridas as necessidades supracitadas. Através de uma forte cultura e dedicação desses três indivíduos, a "casa de baixo" se transformou no Flat.
Flat. Mais que uma casa. Um estilo de vida.